terça-feira, 22 de setembro de 2015

Só mais uma dose de ti.



Só mais uma dose de ti.

És um sacana, sabes?
Claro que sabes!
Tens a noção desse efeito que tens sobre mim, esse poder de controlar-me os sentimentos e de me fazer sentir como uma barragem sobrecarregada prestes a ceder à pressão da água e espalhar o caos onde antes havia paz e harmonia.
Sou um caos, sinto-me um caos, tenho um caos dentro de mim.
Eu não era assim, até te conhecer… Até me dares uma dose de ti, me viciares em ti, te tornares na minha droga favorita. E tu brincas com isso. Brincas comigo, porque sabes que és um sacana de um vício e eu uma viciada em ti.
Idiota, és um idiota!
E eu sou ainda mais idiota do que tu, por te deixar fazer o que me fazes, por deixar que me uses como uma playstation. Sou mais um dos teus joguinhos, não sou? Divertes-te comigo como se eu fosse um jogo, levas-me ao limite da sanidade mental, levas-me ao limite da sanidade emocional, levas-me ao limite do que sou e, no limite de um penhasco, ficas a ponderar se me seguras ou se me deixas cair.
E eu caio sempre.
Não importa se me seguras ou não, eu caio sempre nessa tua teia de promessas, de ilusões e fantasias. Fazes-me acreditar que és um herói, que estás aqui para me salvar, para curar as minhas dores, para me trazer felicidade…
Só mentiras, és um vilão.
Estás aqui para seres um vício e eu a viciada, a dependente das tuas mentiras, aquela que precisa de mais e mais uma dose de ti para estar bem, para me sentir bem, para não existir todo o caos que tu mesmo provocaste. E nunca és suficiente, nunca me chega só uma dose de ti, nunca me sinto satisfeita com tanto que me sabe sempre a tão pouco. Matas-me aos poucos e eu continuo a precisar de ti, como um fumador precisa de um cigarro, um alcoólico precisa de álcool…
Eu preciso desesperadamente de ti, necessito do teu ombro para chorar, implorar por mais, pela tua atenção, pela tua afeição, por ti. E tu dás-me, dás-me outra dose na tua medida certa, a que garante que eu volte novamente quando preciso de ti, não quando quero.  
Odeio-te, odeio-te mesmo muito, seu sacana!
Odeio a forma como me fazes sentir quando estou sóbria, quando os teus efeitos passam, quando estou abstinente (como agora), quando as ilusões viram desilusões e as miragens se esvanecem e eu vejo com clareza aquilo que o nevoeiro mental entorpecia.
Odeio-te tanto, odeio tanto ser viciada em ti, que prometi a mim mesma não voltar a cair na tua tentação. Jurei resistir às tuas promessas, aos teus efeitos imediatos de felicidade instantânea, para me libertar de ti aos poucos, para deixar de ser dependente de ti, necessitada de ti, viciada em ti.
Quero tanto não te querer, que este antagonismo de sentimentos me deixa louca!
Pára de olhar para mim, por favor, deixa de ser sacana.
Eu vou-te resistir…
Eu vou-te resistir…

Só mais uma dose de ti.