segunda-feira, 27 de julho de 2015

Carta para ti, avó!

Olá gente linda!
Hoje, embora um pouco atrasado, trago uma carta para uma das das mulheres que marcaram a minha vida; a minha avó.
Pela pessoa que foi e pela pessoa que me fez ser.
Tu foste/és única.


26 de Julho de 2015


Olá avó!
Eu sei, deves achar estranho o facto de estar a escrever-te uma carta quando nunca antes o fiz… Bem, a verdade é que reparei que hoje era o teu dia, dia dos avós, e não pude deixá-lo passar em branco.
Portanto, antes de mais, Parabéns avó!
Parabéns pela pessoa que foste e obrigado pela pessoa que me fizeste ser.
A verdade avó, sabes, é que sinto saudades tuas. Umas saudades imensas que me deixam os olhos em lágrimas por apenas aumentarem, por não as poder saciar… Por não puder ver-te e falar-te… Mas sinto-te, sinto-te no meu coração, sempre.
Lembro-me muito de ti, avó, do quanto te tenho a agradecer por todos os momentos que me proporcionaste, apesar de todos os problemas que tinhas.
Lembro-me de ser criança e irmos as duas a Matosinhos, à Foz, onde tivéssemos de ir, sempre a pé e lá íamos nós as duas. Tu de moleta e eu a seguir-te, sempre pronta a levantar-te se fosse preciso. Ainda temos cá em casa a tua muleta, sabes? Acho que nunca vi ninguém a andar tanto a pé como tu avó e, de todos os que conheço, tu eras quem menos motivos tinhas para o fazer por causa de teres uma perna e um braço meio paralisados. Nunca foste de te render assim, sempre gostaste de passear, independentemente de tudo.
Lembro-me de estar sentada contigo nas escadas sem fazer nada e tu me dares uns trocos para ir comprar a Bravo e a Super Pop, era eu uma pequena adolescente a sonhar com um mundo como o dos filmes e tu um dia perguntares-me se já tinha namorado e sem acreditar no meu “não”, muito determinada dizias tu “Ai não tens, eu na tua idade também não tinha!” (ironia).
Lembro-me muito, avó, de te ter levantado do chão das vezes que caías e de estar sempre de olho a ver se não voltavas a cair. Tu podias não te levantar sozinha do chão, mas na vida nunca te deixaste ficar no chão, levantaste-te sempre quando a vida te deitava ao chão.
Lembro-me do dia em que o avô morreu e tu vires cá para casa morar connosco e teres uns anos descansados… Passaste a ser a minha “coleguinha de quarto”. Eu sei, avó, reclamei muitas vezes das noites em que não conseguia dormir por ressonares, por te levantares às três da manhã a dizer que eram sete, de tantas coisas… No entanto, sabes, a verdade é que muitas vezes também chegava a casa depois do trabalho e tu estavas a dormir tão silenciosa que eu tinha medo que te tivesses ido, ia sempre ver se estavas a respirar e durante a noite, quando estava tudo muito silencioso, era um alívio quando te ouvia na cama ao lado a ressonar outra vez.
Lembro-me de um dia terem-te levado para o lar, era o melhor de ti, iam cuidar de ti como precisavas, a mãe também estava lá a trabalhar e ia estar ao teu lado…Lembro-me de teres dito “Adeus, coleguinha de quarto!” e eu, sem saber que ia ser a última vez que te ia ver mal ter-me despedido porque tinha de ir trabalhar e saí à presa.
Desculpa avó, por não ser a melhor neta que pudeste ter, por tudo o que pude fazer de mal… Mas, por favor, avó, onde quer que estejas, acredita quando escrevo que te adoro e que sei o que é ter avós porque tu exististe. E que sorte eu tive, avó, por de todos os teus netos ter sido a que mais tempo passou contigo, a que mais tempo conviveu contigo, a que melhor te conheceu e aprendeu contigo.
Sempre foste uma lutadora e ensinaste-me isso por atos, não por palavras.
A ti, avó, dedico muito da pessoa que sou.
Mesmo que já seja tarde para leres esta carta, eu sei que nunca foi realmente necessário cartas para tu saberes o quanto eu te adoro.
Beijinhos da tua “coleguinha de quarto”.