domingo, 7 de junho de 2015

Coração de pedra.


Coração de pedra.
Queria ter um, um coração de pedra… De diamante, que é mais forte, para não se partir, para não lascar, para ficar igual a si mesmo a cada golpe que sofre.
Queria um coração de pedra, frio e insensível…
Não queria sentir nada.
Nada desta dor corrosiva, desta angústia lacerante. Queria viver sem sentir e seguir em frente, passo a passo, sem me preocupar em sentir a dor que sinto, a pena que tenho e a inutilidade de ações que não estão ao alcance de serem controladas por mim.
Queria tanto um coração de pedra.
Mas não tenho…
Tenho apenas este maldito músculo que bate desalinhado dentro do peito, que sofre e aperta. Não se parte como vidro, mas é esmagado com a facilidade de quem arranca uma flor de um jardim para a destruir entras as mãos odiosas.
Queria ter um coração de pedra para tudo ser mais fácil, mais simples. Só que não tenho, resta-me o que me dá vida e me continua a dar força para seguir em frente, mesmo que doa, mesmo que haja sangue pelo caminho.
Só me resta este para viver a minha vida e, talvez seja isso, lembrar-me que para cada vida há um coração e que tenho de deixar de sofrer pela vida dos outros.
Queria um coração de pedra… Vou fingir que tenho um.