terça-feira, 24 de março de 2015

Uma dor que (não) me pertence


Há nos escombros do meu peito
Uma dor reminiscente…
Que não me pertence.
Não tanto,
Pelo menos,
Ou demais,
Como pertence a tantos.
Tantos outros,
Que fora de mim,
Não habitam as ruínas.
As minha ruínas.
A dor é deles,
Mas, as ruínas decrépitas
São tão e somente
Minhas…
Como as lágrimas incandescentes
Que se suicidam no precipício…
Dos meus olhos.
Saltam para o vazio do universo,
Onde não deixam marca,
Enquanto,
No caos do meu universo
Devastado por uma dor,
Que não é minha,
Bate um coração marcado
Pelas chamas
E treme incerta
A réstia de uma alma.
O meu coração.
A minha alma.
A dor não é minha,
É deles que tanto a têm
Tanto a entendem…
Tanto tudo…
Demais ou de menos.
É tão deles essa dor
Que tenho em mim,
Que me escapa há compreensão
Porque não a levam?
E, talvez, quem sabe
Também as lágrimas?
Que são minhas…
Mas posso oferecê-las.
Não sou egoísta.
Não quero
O que não me pertence,
Dou o que tenho.
Só que não querem.
Insistem, de rostos tingidos
Pela compaixão fingida,
Para ficar com a dor
Que lhes pertence
E tanto entendem,
Para ficar, também,
Com as minhas lágrimas…
Incompreendidas.
E emerge….
E cresce…
Essa dor que há em mim
E devasta…
E não me pertence.
E crescem…
E esvanecem…
Essas lágrimas dos meus olhos…
Que, na simplicidade
De um olhar iluminado,
São apenas e tão-somente
Água e cloreto de sódio.