quarta-feira, 13 de junho de 2012

A minha vida no teu olhar


A minha vida no teu olhar

O mundo é um jogo complexo de vidas, onde o fado, nas suas aventuras e diligências, se diverte a brincar com as insignificantes pessoas que em seu poder tem. Sim, sou tão insignificante como um grão de areia no extenso areal da praia ou uma gota de água no profundo oceano. Uma sonhadora que um dia se atreveu a desejar voar… No fundo, mais uma boneca nas mãos do destino.
Destino…
O meu cortou-me as asas antes de eu as tentar abrir e deixou-me cair nas trevas sem rumo, sem direção, sem fim… Quando só desejava sorrir na simplicidade da vida, condenaram-me à escuridão. A cada segundo, no meu peito, é como se uma navalha o dilacerasse e o seu sangue fluísse entre os dedos e se misturasse com as lágrimas caídas dos meus olhos. Ninguém entendia essa dor, ninguém me sabia estender uma mão para me salvar…
De mim nada havia, se não uma mera sombra do que eu pensava ser. O meu coração continuava a bombear o sangue, porque o sofrimento de ver alguém sofrer por me perder seria maior que a minha morte.
Não se tratava de viver, tratava-se apenas de existir!
Talvez me considerem uma fraca por pensar em desistir, porém ninguém me ajudou quando me condenaram à cegueira e somente eu me tive de arrastar pelos envidraçados caminhos, até um ponto onde pudesse dar paz à minha alma.
Os meus lábios esboçam um sorriso nostálgico ao lembrar aquele vulgar dia de Maio, onde me sentindo tão vulgarmente insignificante no fundo de um poço sem luz, a tua voz gritou na noite por mim. O músculo cardíaco levou um choque elétrico e, nas veias, a corrente sanguínea tomava velocidades nunca antes vistas. Sentia-me enfeitiçada pela tua música e viciada no teu som… Tal qual uma droga, os meus ouvidos necessitavam de escutar aquela deliciosa melodia durante o tempo suficiente para a minha mente se abstrair do buraco negro que me havia sugado…
Tu voaste como um anjo negro para junto de mim, quando eu pensava que estava condenada ao sofrimento, e disseste-me para não saltar para o abismo.
A minha mente acordou e os sonhos fluíram outra vez. As minhas asas voltaram a reconstruir-se, das cinzas renasceu um leão com força suficiente para lutar pelos seus sonhos e voar com as suas asas de anjo pelo mundo infinito, numa liberdade que só tu me conseguiste mostrar!
O meu desejo era estar lá quando fosses rei do palco e senhor das vibrações que cada nota provocava na multidão. O meu desejo era contemplar esse olhar que me resgatou das entranhas profundas do meu inferno. As tuas mensagens ensinaram-me, como se fosse uma criança, a acreditar numa vida feliz e que desistir é apenas um passo para desperdiçar esse dom que a natureza nos deu de viver!
Eu voei com as asas que me deste e lutei com a força que me injetaste, até realizar esse sonho e consegui! O mundo pode-me tirar tudo na vida, assim como me está a tirar a visão. No entanto, podem passar mil anos, ninguém vai arrancar de mim a enchente de alegria que, naqueles segundos insignificantes para ti, explodiu de entusiasmos o coração feito em pedaços. O mesmo que tu colaste. Eu tinha tanto para dizer e na realidade, nada para ouvires… De todas as formas, não ligarias a um relato de uma vida que é a minha, mas mesmo assim, te agradeço por tudo que fizeste inconscientemente na minha vida!
Um obrigado do fundo do coração que marquei na pele, um obrigado que surtem lágrimas por nunca o ires ouvir da minha boca, um obrigado por ainda hoje estares aqui quando mais preciso de apoio e ninguém entende… Sim, porque quando as asas falham lá estás tu para gritares na noite por mim e dares carinho ao leão que também sente medo!
A ti, um obrigado por me teres mostrado que o coração também vê e que com ele consegui ver a tua alma no olhar. O olhar cor de mel que a escuridão nunca poderá apagar da lembrança.
O olhar que se tornou a essência da minha vida.