sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

You Keep Me Alive (Continuação)


3º Devaneio

As águas do rio pareciam calmas vistas de cima daquela ponte, escondendo nas suas entranhas a ferocidade que arranca a vida a tantas pessoas. No entanto, não fora um local de mágoa e lágrimas tristes aquela ponte que se estendia de uma margem á outra de Londres.
O silêncio imperava, apenas havendo um ou outro carro ocasional que atravessava o tabuleiro, sem prestar muita atenção ao moreno que se achava a observar o rio que se alongava por quilómetros de distância. Serena, segui para junto de Harry, sentindo a túnica branca que vestia ondular ao sabor do ligeiro vento e a leveza que me rodeava.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

You Keep Me Alive (Continuação)




2º Devaneio

A noite corria calma e vagarosa, como usualmente fazia desde o dia da minha morte, aguardei que o meu corpo ganhasse novamente forma e se tornasse visível para aquele homem que amava acima de tudo.
Muito acima da minha própria vida.
Harry aguardava solitário e melancólico por mim, sentado num banco daquele enorme jardim que se estendia para além dos limites da visão. Em passos serenos e sem a necessidade de apresar toda aquela hora, segui para junto dele, sentando-me sossegadamente a seu lado.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

You Keep Me Alive



1º Devaneio-o.


Os seus olhos azuis cristalinos, como o céu num dia de verão, observavam-me atentamente com algum desejo escondido por entre aqueles olhares enternecidos. Nenhum de nós conseguia realmente proferir uma palavra, com medo de estragar a mágica sensação de tudo estar num equilíbrio perfeito e o mundo lá fora não passar de uma noite escura onde todos dormem.
As minhas pálpebras fecharam-se por segundos, não conseguia arranjar coragem para me desencostar da parede e sair daquele quarto sufocadoramente pequeno para estar afastada dele. O pior era que eu realmente ansiava por sentir novamente o seu toque, a sua pele suave e quente de encontro à minha e o gosto doce dos seus lábios a devorarem apaixonadamente os meus…
Inspirei fundo e, de imediato, senti o aroma do seu típico perfume masculino a penetrar-me o nariz e a relaxar-me de uma forma única.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sussurro

Sussurro

Um sussurro paira solto, dissimulado
Por entre uma maré de gente vazia
Gente ocupada, surda e fraca
Para o recado que ele quer deixar

Ninguém o escuta ou não o querem
Na realidade, ninguém o tenciona
Ninguém quer ouvir o sussurro
Porque custa reflectir, pensar

Trás o sussurro essa mensagem
Mensagem que transporta um vendaval
A força que assusta a muitos
Àqueles que se fingem de surdos

No fundo todos o escutam
Atentamente até, para depois o ignorar
Porque é mais fácil ignorar
Preferível a enfrentar a verdade

A verdade que tortura corrói e mói
Certeza de tudo não passar de ilusão
Mentir e dizer que tudo está bem
Fechar-se os olhos e ver-se luz

E sussurra sussurrante o sussurro
Para me acordar de um sonho falso
Sabendo que não passa isto de uma mentira
Mais uma ilusão na minha triste vida

Também eu ignoro propositadamente o sussurro
Porque preferio dormir neste sonho mentiroso
Em vez de acordar para as trevas tenebrosas.