sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Esqueci-me...

Esqueci-me...
Esqueci-me…
Hoje esqueci-me de te esquecer
E tu apareceste vindo das sombras,
Envolvido numa aura negra que se desfez
Ou apenas se ocultou na perfeição desse rosto…
Um rosto angelical, onde esses olhos negros,
Negros como obsidiana perfeitamente esculpida,
Escondem o desejo, a necessidade e a perdição
De um coração de anjo caído em tentação.

Vieste…
Vieste com um sorriso luminoso,
Um gesto que me acelera o sangue nas veias
E me arrancou um suspiro de prazer.
Todavia, pergunto-me se será verdade
Esse gáudio que esboças nos teus lábios
Ou simplesmente uma miragem,
Uma mágica ilusão para ingénuas sonhadoras?
Não sei e tu não me respondes…

Aprisionaste-me….
Aprisionaste-me nesses braços fortes
Num abraço quente e reconfortante,
Mostrando-me o quanto desprotegida estou
Quando não partilhamos as nossas almas…
E sei que é isso que anseias todo este tempo,
Tudo aquilo que nunca te poderei dar,
O maior dos pecados e o maior dos erros
Que enclausurei na minha Caixa de Pandora.

Tentaste-me…
Tentaste-me com palavras de amor,
Mentiras e promessas de um futuro perfeito
Quando toda a perfeição que existe
É somente o sonho onde me manténs refém.
Refém do teu e do meu desejo,
Um desejo jamais insaciável
Como um fogo que nunca se extingue,
Ou a noite que nunca termina.

Liberta-me…
Liberta-me deste sofrimento que corrói
E me torna escrava passiva da dor.
Porque se me amas como aclamas,
Não desejas ver um sorriso também nos meus lábios?
Ou te agrada mais as lágrimas que deslizam,
Tal qual um grão de gelo, pelo meu níveo rosto?
Gotas cristalinas e puras, a verdade crua
De tudo o que de mais real há no meu espírito.

Esqueci-me…
Hoje esqueci-me de te esquecer
E tu apareceste vindo das sombras.
 Solene e pacífico, de asas negras abertas
Para me levar a voar até lugares inatingíveis,
Onde meramente divindades têm acesso…
Nesse instante, nesse instante lembrei-me de tudo
E recordei que tudo o que sempre esqueci
Foi de acordar do sonho em que me capturaste.