domingo, 24 de janeiro de 2010

As trevas que me cercam


As trevas que me cercam

As trevas acercam-se do meu corpo
Subtis e calculistas, sem dó nem piedade
Esperam vê-lo cair imóvel, morto…
Eu as aguardo sem ansiedade

Sem luz, sem esperança, sem sentido
Não tenho medo, ou algum tipo de pavor
Se em vida nunca vi mais que o preto
Nunca senti mais que dor

O que interessa que me levem,
Se nada há para deixar?
O que importa as memórias,
Se o tempo acaba por as apagar?

As recordações como as tuas
Lá, no longínquo, sepultadas
Impossíveis de serem alcançadas
Só passíveis de serem lamentadas

O sofrimento corre numa lágrima
Já não sei quem fui, quem sou
Tu, eu… Quem foi a vítima
Quando só a solidão ficou?

Alguma vez luz terei sido?
Alguma vez foste esperança?
Alguma vez tivemos um sentido?
Ou sempre pura fantasia?

Já não há solução, já não há resposta
Já não interessa, já não importa
Quando, as trevas me libertarem, amanhã
Um novo Sol nascerá!