Amor de Inverno


Amor de Inverno

O sol de fim de tarde luzia os seus últimos raios sobre a manta de neve, que o céu enublado causara. Floco a floco, o seu cabelo negro tornava-se mais claro devido ao gelo nos filamentos, reflectindo-se num sobressair dos seus olhos cor de mel, lembrando um olhar de leão. Um olhar enganador, pois a pessoa que caminhava, passo a passo, sentia-se apenas um gato ermo naquele frígido Inverno.
O seu pensamento prendia-se exactamente ai: na sua tão angustiante solidão! Os dias corriam dolorosos e desesperantes sem o sabor de uns lábios femininos nos seus, sem o toque pélvico da macia pele de rapariga, sem a tal que o completava a lhe dar e compartilhar amor verdadeiro, esse amor que unicamente dois corações puros conseguiriam dividir! Porquê? Porquê? Ele era um jovem de 18 anos, não teria direito a ser amado como os outros, a descobrir novamente a magia desse fantástico sentimento?
As suas mãos frias esfregaram uma na outra para aquecerem, nesse instante de abstracção mental deu por si estático a mirar uma beleza irreal! A água sólida apreciava sobre si o movimento artístico de uma jovem a patinar, graciosa e com a magnitude de um lindo cisne branco executava piruetas, saltos e passos específicos, onde o vento ondulava suavemente os seus cabelos castanhos. Gesto a gesto, o seu olhar seguia a esplendorosa dança, quem seria ela?
Os seus pés deram mais uns passos enfrente e logo seu corpo se apoiou numa árvore ali perto, permaneceu encostado durante os minutos que se seguiram, incapaz de abandonar a visão de tão frágil silhueta. A sua alma ansiava fortemente descobrir mais e mais sobre o invulgar ser! Invulgar, porquê invulgar? A explicação residia no simples facto de ela sem nada demais, lhe transmitir a estranha sensação de paz e calma.
A rapariga que até então parecia distante da noção de observação, pára no meio do gelo e desvia a sua atenção para ele. Sorriu, esperava que o frio conseguisse disfarçar as maças vermelhas do rosto.
- Quem és tu? – A sua melodiosa voz inquiriu a sua identidade.
O silêncio é o único som a expressar-se. A rapariga perante a ausência de resposta caminha na direcção dele, embora perdurando no gelo.
- Desculpa, mas ouvi passos e senti o teu cheiro… - Iniciou ela sem o mirar correctamente na face.
-Max, chamo-me Max! – As palavras ditas por ela elucidaram-no: Ela era cega! – Eu é que peço desc…
- Já estás ai a algum tempo, queres experimentar? – Ela interrompeu convidando-o.
- Não obrigado, eu não sou capaz de fazer o que tu fazes! – Recusou educadamente ele.
- Isto não é assim tão difícil! – Ao declarar a frase dá uma pirueta e aterra delicadamente. Após isso estendeu a mão. – Anda, eu ajudo! Os patins estão ai perto da árvore.
Max desviou-se um pouco e notou admirado que realmente ali se encontravam uns patins, apressou a calça-los para que não durasse muito o tempo de espera. Os dedos de ambos cruzaram-se num aperto de mãos, ao por o pé na superfície gelada cambaleou e rapidamente sentiu a firmeza de uma opressão a segurar.
- Não stresses, apenas sente que tu e os patins são um só! – Acalmava-o ela com frases relaxantes.
Ao falar os olhos dela mal o fixavam, no entanto os trejeitos assemelhavam-se aos de quem via. De começo, a dificuldade em se manter hirto tornava a patinagem mais complicada, só ao fim de mais de meia hora conquistava a capacidade de se equilibrar. A meia hora subsequente desapareceu entre pequenas quedas e o estimar do sorriso sublime quer dos lábios quer dos olhos dela, fascinava-o a forma como ela divisava o mundo, à vista dele amargo.
- Acho que por hoje chega, estou cansado! – Max pôs termo á diversão descalçando os patins.
- Ok, desculpa se exagerei! – Ela desculpava-se pela intensidade do treino e tacteou o pulso: ‘‘7 horas e 30 minutos’’ ouviu-se o relógio anunciar. – Já está a ficar tarde é melhor ir indo.
Os segundos seguintes foram velozes, ela abalou do lago e calcou o calçado desarrumado dele, exaurindo num tombo, o qual ele tentou amparar defeituosamente, terminando os dois no chão de neve. Ela repetidamente alargou a boca num aceno tímido.
- Sou uma desastrada, espero não te ter magoado! – A rapariga levantava-se apoiando as mãos no chão e colhendo dele uma vara pequena, que em menos de nada aumentou de tamanho. – Depois de tanto tempo já devia saber que não posso andar sem a minha amiga.
- Oh, a culpa foi minha. – Max extenuava a culpa da jovem, sentenciasse ele mesmo o criminoso do sucedido. - Eu que devia ter cuidado de não ter posto os patins ai. Se tivesse pensado antes que tu…. – O gosto acre do vocábulo que ficou por expressar toldou-lhe a voz.
- Cega! – Completou a sua suspensão.
- Sim, desculpa eu… - Experimentou uma frustração a palmilhar a sua espinha.
- Não tens de pedir desculpa! – A rapariga andou até tocar com a vara nos pés dele e estancou. A sua cabeça ascendeu talvez arriscando a fintar a cara dele. – Sabes Max, eu um dia também vi com os olhos!
- Então tu não foste sempre cega? – O seu tom transpunha uma entoação de pena pela fatalidade que lhe caíra.
- Não! – Anuiu fechando as pálpebras e buscando memorias de outros tempos. O seu corpo girou para o lago. – Um dia também pode apreciar a beleza deste lago no Inverno, a cristalina água a ondular ao sabor do vento na Primavera… Via tudo aquilo que queria e não queria. – Mais uma volta e empreendeu em Max – Por isso não tenhas pena de mim, eu já vi de tudo e nunca soube dar valor ao que a meus olhos aparecia. – A jovem pausou e com o dedo limpou a lágrima do rosto – Depois a cerca de dois anos tudo mudou, começou a falhar estas pupilas e os médicos declararam que estava ficar cega. Não, não foi fácil e chorei dias e dias a fio, nem uma cura existia! – Suspirou. – O meu mundo caiu, caiu mesmo que até tentei o suicídio e afastei de mim todos aqueles que mais me amavam! Recusava que estivessem comigo por pena. Um erro! Eles eram meus amigos só me queriam perto deles fosse como fosse e estariam sempre lá para tudo… - A lembrança trazia-lhe dor que se reflectia no embaraço a articular.
- Não precisas de continuar! – Max emitia o pensamento para não a fazer sofrer mais. Na verdade não sabia a quem mais aleijava tal história, pois dos seus olhos brotaram umas gotas salgadas.
- Deixa-me continuar, só quero que saibas isto para não teres pena de mim! – Pedia ela explicando a razão da conversa. – Perdi, perdi tudo sem nunca me dar ao trabalho de pensar em aproveitar cada segundo da vida que tinha. Depois um dia acordei e vi o mundo negro, não me conseguia mexer com medo de tudo. A minha mãe também não aguentou me ver assim e teve uma depressão, isso sim foi o pior que eu podia ter feito a mim mesma: Magoar a pessoa que mais amava no mundo! Por fim, aceitei o conselho do meu oftalmologista e internei-me numa clínica de acompanhamento a pessoas com deficiência visual. Estive lá quatro meses, aprendi tudo que havia para conseguir ter uma vida normal e quando sai resolvi mudar de cidade para começar uma nova vida! – A medida que esgotava o conto mudava a entoação da voz para mais alegre. – Agora vivo cá a cerca de um ano e embora não veja com os olhos vejo com as mãos! – Algum pensamento lhe trespassou a mente e sorriu.
- Admiro-te muito! - A pena antes sentida, transformou-se numa profunda admiração. – És um exemplo para que as pessoas saibam aproveitar correctamente a sua vida, sem lamurias e sempre a exigir tudo e mais alguma coisa! – Max segura nas mãos dela. – Obrigado por me teres feito ver isso!
- Posso? – Ela solicitava a autorização de tocar na face dele.
- Sim. – Ele permitiu, mesmo não gostando que lhe tocassem na cara, contudo com ela era diferente.
Centímetro a centímetro tacteou a pele facial de Max: os seus olhos, o seu nariz, os seus lábios… Tudo tocado pelos seus dedos. Ao terminar lançou um movimento de gáudio,
- Bem me parecia que uma voz tão melodiosa tinha de ter uma cara linda! – Sem vergonha declarou a sua análise.

***
O Sol entrava pelas frinchas da janela, atingindo-o no rosto e obrigando-o a abrir as pálpebras, a primeira coisa que fez, após a abertura delas, foi apreciar a beleza da rapariga que a seu lado sonhava. Muitos meses se passaram desde a primeira vez que a descobrira a patinar graciosa como um cisne, sobre as águas geladas de um lago de Londres e, ainda assim executava aquele gesto todos os dias! Uma coisa que ela o ensinara: Nunca deixar de admirar a magia do mundo!
‘’Foste tu que realmente me viste! Mais que o rosto, viste-me a alma! ‘‘

*** Fim ***

O que é liberdade?

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O que é liberdade?
Sozinha, solitária, só
Vaguei-o pelas ruas sem destino
Rastejando e metendo dó
Na ânsia de encontrar um caminho

Ou talvez uma solução para o sofrimento
Encontrar o pedaço da minha alma
Dizimar o tormento do peito
Sentir de novo paz e calma

Onde está a resolução?
Queria viver em vez de existir
Mas algemas impedem-me a acção
De lutar e escolher sorrir

Meu coração já não bate
A morte cruel não me leva
Quando de mim apenas há meia parte
Ela mantém-me presa á Terra

Um dia disseram que era independente
Mentiram, enganaram, iludiram
Muita injustiça, vejo unicamente
Os meus olhos choram

Se não posso decidir morrer
Se me obrigam a viver
Uma resposta não há para a inquire:
- O que é liberdade?

Alone

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Alone

Alone
Alone

Tonight is raining from my eyes
I can’t see if you really stay here
I listen your voice way
And not understand what you say
It’s like an illusion from my mind
Just a heart wish or desire?


Alone
Alone
I can’t keep alone
Alone
So pain
So suffer
So lowliness
Without you don’t have sun or moon
Make me feel alone

My single bed is so cold
My skin is frozen without your touch
The heart stop and soul brakes
I call for your name, just miss murder hear
She is with me, she’s make me feel dead

Alone
Alone
I can’t keep alone
Alone
So pain
So suffer
So lowliness
Without you don’t have sun or moon
Make me feel alone

All I need is you coming back
All I want is some love
Give me some shine like sun
Give me peace like moon
Give me life like just you can do
Don’t make me fell more…

Alone
Alone
I can’t keep alone
Alone
So pain
So suffer
So lowliness
Without you don’t have sun or moon
Make me feel alone

Alone
Alone
I can’t keep alone
Alone
So pain
So suffer
So lowliness
Without you don’t have sun or moon
Make me feel alone

Inicio do poema

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Inicio do poema

Uma lágrima clandestina
A memória apagada
Sempre se inicia o poema
Em cada princípio de mágoa

A dor que no peito corrói
Junta a rima ao verso
A felicidade fugida, deixando o resto
O nada de uma prosa que moí

Bate desesperado por abrigo
O coração traído, rejeitado
Sendo somente mendigo
Em cada quadra mal-amado

Assim, o poema termina
Com a mágoa do fado declarada
A separação se legitima
A vida não finda

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Andy Girl
Eu sou uma rapariga sonhadora e o meu grande objectivo é ser feliz! Escrevo por desporto e amo a filosofia da vida
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